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Irreverência


Há uma frieza,

Um embotamento,

Um descolorir

Naquilo que é tradicional,

Convencional, regular e permitido,

Que a alma implora um libertar;

Deseja intensamente

Um frio na barriga,

Quer do coração um acelerar,

Sem levar em conta as consequências,

Pois de que vale a vida,

Sem um desatino?

De que vale a vida

Em apreciar o doce com os olhos

Sem que o dissolva no próprio salivar?

 
 
 

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