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A LEI DA NATUREZA



A LEI DA NATUREZA


Diante de meus e olhos e ouvidos

Um pássaro canta e uma abelha faz negócios

De escambo com uma planta, isto é:

Poliniza as flores em troca de néctar;

Alheio a tudo isso

O vento assopra varrendo a poeira do chão

Enquanto penteia a grama e as ervas rasteiras.


A cada nota do canto do pássaro,

A cada movimento das asas da abelha e

A cada sopro do vento,

O tempo passa vagarosamente

Com seus pés de veludo.


A mente que observa e sente, logo se perturba,

E uma dúvida paira no ar:

Será que o tempo passa por nós?

Ou somos nós que passamos pelo tempo?

Há tantas civilizações, tantas pessoas,

Tantos monumentos e tantas cidades

Mergulhadas em histórias, que ninguém

Do agora sabe ou ficou sabendo,

Pois estão sepultadas por camadas e mais camadas de terra

E envoltas por mistérios,

Mas o tempo, ele com certeza testemunhou

O auge e derrocada de tantos impérios e civilizações

Que se tornaram invisíveis pela ação dele,

O próprio tempo.


Passamos pelo tempo

Ou o tempo passa por nós?

Sei tão pouco de meus avós,

Quase nada de meus bisavós

E praticamente nada de meus tataravós;

Será que eles passaram pelo tempo?

Ou o tempo passou por eles?

Só sei que tudo se apaga diante de nossos olhos

E de minha lembrança,

Ante o tempo tudo vai se apagando,

Hoje sou alguém com nome,

Direitos e deveres,

Amanhã meu nome permanecerá por um tempo

Junto a uma data de aniversário e uma data de falecimento

Gravados em um epitáfio

Em algum jazigo em algum cemitério,

Depois disso, não haverá mais nada.


Após o tempo consumir minha história e meus ossos,

Ele vai seguir adiante.

E logo ali no futuro vai consumir também

A forma biológica de tanta gente que ainda sequer nasceu;

Vai engolir civilizações que sequer surgiram,

Vai engolir tantas construções

Que sequer passou pela cabeça de um arquiteto ou de um engenheiro.


O tempo talvez,

Seja a mão direita e ubíqua de Deus,

Pois ele está no presente, no passado

E no futuro, no qual eu e tu, todos nós

Que hoje andamos pela terra, não estaremos,

Mas o tempo lá estará corroendo tudo silenciosamente,

Porque essa é sua lei

A Lei da Natureza e ela é muito mais forte

Que qualquer um de nós.


Essa lei natural, na verdade,

Não destrói, nem cria,

Apenas transforma,

Isso, ela no século XVIII

Assoprou aos ouvidos de Lavoisier.


Queiramos ou não,

Por toda vida nos alimentamos de outros seres.

Seja através do leite, da carne, de vegetais e de seus cereais,

Não há como fugir ou negar,

Alguns seres vivos estão por detrás

De toda nossa trajetória como estrutura biológica,

Assim como eles nos alimentaram

Voltaremos com certeza a alimentar

Outras espécies de seres vivos - ainda que microscópicas,

Como também outras ervas,

Porque essa é a lei, a Lei da Natureza.


Queiramos ou não,

Somos assim como as plantas,

Somos assim como os animais:

Seres em transformação,

Tudo aquilo que anima nosso corpo biológico

Já animou outras criaturas e muitas plantas,

Amanhã ou depois de amanhã,

Com certeza estaremos animando outro grupo,

Seja de plantas ou de animais,

Pois, não somos nós que passamos pelo tempo,

Mas é o tempo que passa por nós.

Ele é maior do que nós,

Nós somos apenas poeiras de estrelas,

Que compõe hoje uma forma

E amanhã animara outra,

E ninguém pode fugir disso.

 
 
 

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