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Envelhecer…





Entre as maiores impotências que herdamos da vida está a de nada poder fazer para impedir o envelhecimento. Nossa maior ambição é permanecermos para sempre jovens, tanto que isso alimenta nossos mais secretos desejos e fantasias como a tão sonhada fonte juventude para permanecermos eternamente jovens. Desejamos a mesma imortalidade de John Oldman, personagem do filme “O HOMEM DA TERRA”, que tem 14.000 anos e não envelhece.


 O mercado estético está repleto de oferta de frascos que contém poções e drágeas milagrosas de antienvelhecimento e as pessoas compram porque a velhice trás em si a mensagem fria de que caminhamos para o fim de nosso caminho, enquanto que a juventude está entre o inicio e o meio de nossa jornada. Consumimos tudo o que nos promete frear o envelhecimento, porque desejamos a juventude eterna como possuía o lendário e enigmático Conde Saint German, a personalidade europeia mais misteriosa do século XVIII, pois segundo a lenda o mesmo não envelhecia por possuir o “elixir da juventude”.


O envelhecimento e a busca pela juventude eterna é tema desde há muito de todas as civilizações. Na Mitologia Grega Eos, a deusa do alvorecer se apaixonou e casou com mortal Tithonus, príncipe de Tróia, irmão do rei Príamo, tio de Paris e de Heitor.  Por ser uma deusa imortal pediu a Zeus a imortalidade para o marido, no entanto, esqueceu-se de pedir que a imortalidade concedida fosse acompanhada de uma juventude eterna.


O tempo passou e Tithonus foi envelhecendo, seu corpo ficou curvado até que se tornou muito diminuto e feio, ocasião em que a deusa Eos tomada de amor e compaixão transformou Tithonus em uma cigarra para que pudesse sempre ouvir a voz do marido, pois entre os insetos a cigarra está entre os mais melodiosos. Segundo esse mito a deusa Eos sempre chora sua saudade ao amanhecer e suas lágrimas se convertem no orvalho sobre a relva, folhas e flores, enquanto Tithonus canta seu canto triste de cigarra.


A Mitologia Grega sempre foi usada pelos gregos para interpretar a vida e suas nuanças, do mito de Eos e Tithonus fica a lição de que nada é eterno, tudo é transitório, tudo tem um começo, um meio e um fim e de nada nos valerá a imortalidade se continuarmos reféns da ação inclemente do tempo, pois objetos, utensílios, animais e humanos envelhecem, uma vez que estão todos sob a tirania implacável das horas.


Como seres humanos, possuímos consciência do próprio envelhecer e isso dói, pois sabemos que o envelhecimento trás junto consigo as limitações e determinados desgastes físicos. No entanto, quando a dor cede espaço para a aceitação e compreensão de que o envelhecer não nos impede de viver, as coisas fluem em harmonia com a própria vida.  


Para uma pessoa madura aceitar o processo irreversível do envelhecer, torna-se imprescindível saber que, desde nosso primeiro contato com o oxigênio ao respirar fora do útero materno, começamos nosso processo paulatino de envelhecimento, pois viver é envelhecer e a vida tem como fim primordial ser vivida e não eternizada.


O corpo envelhece por que está sob o jugo da gravidade e do tempo, mas alma é atemporal e imaterial. A alma não envelhece. Nesse contexto a aposentadoria jamais deve ser o sinônimo do fim, mas a mensagem de um novo começo, pois a alma tem sede de vida e devemos alimentá-la até os últimos dias, com risos, emoções e prazer em realizar aquilo que sempre desejamos fazer e não fizemos por a cultura a nós imposta ter nos ensinado a sabotar nossa própria felicidade.  É preciso lembrar que nunca é tarde para ser feliz.




Embora as limitações e restrições físicas se apresentem como cães de guarda da idade, é fundamental optar por alternativas que mantenham uma pessoa madura ativa para retardar ao máximo possível o entardecer de seus dias e com isso um envelhecer com qualidade de vida. Nisso estão os exercícios físicos, boa alimentação, leitura, música, dança e uma infinidade de atividades lúdicas e intelectuais que colaboram para o envelhecimento saudável e com lucidez, pois a juventude eterna nos é impossível, mas ser feliz, não!


Davi Roballo__________________

 
 
 

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